Sobre exposições e anuários

CCSP

Área reservada para a exposição no CCSP.

Começamos ontem a montagem da exposição Panorama Iberoamericano de Publicações IndependentesA exposição apresenta o material recebido para o 3º Anuário de Fanzines, Zine e Publicações Alternativas e conta com a participação de países como Brasil, Argentina, Chile, Venezuela, Colômbia, Cuba, México, Portugal e Espanha, totalizando mais de 240 publicações dos mais diversos formatos e assuntos.

Paralelamente acontece a exposição Futuro Primitivo, com originais e prints de trabalhos realizados pelos artistas da associação portuguesa Chili Com Carne.

Panorama Iberoamericano de Publicações Independentes será inaugurada dia 6 de abril, durante o 3º Ugra Zine Fest, e permanecerá no Centro Cultural São Paulo até o dia 5 de maio..

CCSP

As publicações do fanzineiro português Geraldes Lino também são destaque na exposição.

Sobre o Anuário

Direto ao ponto: com tanta coisa bacana rolando no começo desse ano, não conseguimos concluir o 3º Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas a tempo de lançá-lo no Ugra Zine Fest. Deixamos agendado então para o final de maio, ok?

Adiantando: sim, vai ter festa. E sim, pode ter certeza que a espera vai valer a pena! 😉

Entrevista – Alex Vieira

Prego é uma antologia anual de quadrinhos autorais, um selo editorial, um espaço de arte sediado em Vila Velha e um estúdio de criação gráfica. Alex Vieira é a cabeça hiperativa por trás destes projetos, além de ser vocalista e guitarrista da banda punk Morto Pela Escola, e marcará presença no Ugra Zine Fest em pelo menos 3 atividades: a palestra “Prego no Brasil e no Mundo”, o debate “Estratégias de Viabilização para o Quadrinho Independente” e o show de encerramento do evento.

Aproveitando o lançamento da sexta edição da revista (a aguardada “edição drogada”), mandamos algumas perguntinhas para o cabra.
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Alex Vieira
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Ugra Press – Você já esteve em pelo menos duas ocasiões divulgando a Prego fora do país: uma vez em Portugal, na Feira Laica, e outra nos Estados Unidos, durante a turnê do Merda. Que retorno você teve dessa divulgação? Os gringos estão interessados no quadrinho independente brasuca?
Alex Vieira – Eu também já tinha ido antes para a Argentina e Uruguai divulgar a revista. Apesar de não ter marcado nada nesses países, deixei a Prego em lojas, fiz trocas e também conheci pessoas. Sobre Portugal, já estava rolando o contato com o Marcos da Chili com Carne há um tempo e ele sempre falava sobre a feira. Acho que tivemos um ótimo retorno da cena de lá, durante e depois do evento. Pessoas de Portugal passaram a me escrever pedindo a revista, querendo participar e perguntando sobre os autores nacionais. Inclusive na Prego #6 temos vários colaboradores de lá. Nos Estados Unidos eu levava a revista em shows, lojas e espaços culturais e notava que as pessoas se interessavam muito e de cara já queriam comprar. Conheci gente que fazia zines e quadrinhos, mas teve gente que falou que era muito difícil de entender mas que gostaria muito de ler, então achei legal essa edição ter legendas em inglês. A cada dia tenho

UP – Você acaba de lançar o sexto número da revista Prego. Além de ser o mais numeroso em páginas, é também o primeiro número a incluir legendas em inglês para as histórias. Qual sua expectativa em relação a essa iniciativa?
AV – Vou fazer um teste ainda esse ano, vou visitar outros países e vou levar a revista nova. Mas já acredito que teremos mais espaço dessa vez.

UP – Considerando a quantidade de gírias, palavrões e expressões idiomáticas contidos nas histórias, foi muito difícil fazer essa tradução?
AV – Alguns quadrinhos tivemos que pedir para o próprio autor cuidar da tradução. Além disso, a Raquel Pontes (tradutora) fez um ótimo trabalho de pesquisa e se preocupou bastante com essa parte.

UP – Além dos títulos lançados sob o selo Prego, atualmente você mantém também uma loja / espaço de arte. O quadrinho independente no Brasil finalmente tornou-se algo viável? O que ainda falta melhorar?
AV – É sempre uma aposta e a gente tem que ir trilhando vários caminhos pra tentar viabilizar a coisa toda. Conto com a ajuda de muita gente! Não acredito somente no lance do “quadrinho independente”, a idéia do Espaço de Arte da Prego é sempre mesclar outras formas de arte com os quadrinhos. No espaço tem de tudo: camiseta, disco, quadrinho, livro, gravura, poster, dvd e por aí vai. Além de rolarem lançamentos e exposições num espaço muito pequeno. Todo mundo faz você acreditar que é algo inviável, pois realmente é muito mais fácil optar pelo senso comum. Falta muito pra melhorar, na verdade, acho que as pessoas que gostam qualquer tipo de arte devem visitar as exposições, irem nos espaços, sugerirem coisas, apoiarem e participarem mais da idéia. Mas acho que tem melhorado muito.

UP – Fale-nos sobre o Morto Pela Escola. O que está rolando para os lados da banda hoje e o que podemos esperar do show no Ugra Zine Fest?
AV – O Morto Pela Escola está na atividade e acaba de lançar um EP com a nova formação e já está preparando um outro lançamento. Mudamos um pouco o formato da banda, agora além dos vocais estou tocando guitarra. Nesse show, nosso baterista oficial será substituído pelo nosso amigo Guido Imbroisi, parceiro na Revista Prego e outros projetos musicais de longa data! Podem esperar um show fora do convencional!
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Revista Prego

Entrevista – Edgard Guimarães

Não vamos nem tentar disfarçar: contar com uma palestra do Edgard Guimarães no Ugra Zine Fest é a realização de um sonho. Ao lado do Henrique Magalhães, que também estará entre nós, Edgard é uma das figuras brasileiras com um dos maiores portfolios de serviços prestados ao fanzinato. Desde seu primeiro fanzine (o lendário Psiu, de 1982) até o longevo QI (que já passa das 120 edições), são mais de 30 anos editando, publicando, pesquisando, desenhando, escrevendo e apoiando o quadrinho independente nacional. Toda essa trajetória será esmiuçada na palestra “Retrospectiva do editor Edgard Guimarães”, a ser proferida pelo próprio no dia 6 de abril, às 15h30, no Ugra Zine Fest.
Batemos um papo rápido com o homem para dar um gostinho do que está por vir.
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Fanzine

Capa do livro Fanzine, escrito por Edgard Guimarães e publicado pela Marca de Fantasia

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Ugra Press – Apesar de colaborar com publicações de outros editores desde 1976, sua primeira investida como editor se deu 1982, com o lançamento do Psiu. Ou seja: há mais de 30 anos você está envolvido com fanzines e quadrinhos independentes. Se considerarmos que o primeiro fanzine brasileiro data de 1965, podemos dizer que você acompanhou a maior parte da História destas publicações no Brasil. Diante disso, como você enxerga o panorama atual? É melhor, pior ou apenas diferente?
Edgard Guimarães – Em um número recente do “QI”, escrevi algo a respeito. Atualmente, na área dos quadrinhos, o Fanzine propriamente dito, aquele que traz principalmente informação, como publicação impressa está quase acabando. Sobraram uns poucos, como o “QI”. O restante virou blog, site ou publicação virtual. Já as publicações independentes de quadrinhos, embora existam em grande quantidade na forma virtual, também têm grande vitalidade na forma impressa. Com outras temáticas, além dos quadrinhos, o fanzine informativo, de reflexão, o experimental, ainda existe em boa quantidade.

UP – A sua dedicação e a qualidade da sua produção são fontes inesgotáveis de inspiração para novos e velhos editores independentes. Depois de todos estes anos de fanzinagem, quais são suas motivações e expectativas?
EG – A primeira motivação foi publicar minhas HQs, já que não existia mercado profissional. Mas a própria atividade de editar, publicar outros autores, manter intercâmbio, passou a predominar e minha produção como quadrinhista ficou em segundo plano. Quanto à expectativa, aquela que existia de poder atingir um público maior, hoje não existe. Tenho uma certa consciência de que não há maior interesse pelo tipo de trabalho que faço e eu não tenho interesse em deixar de fazer o trabalho que faço. Outra questão que hoje é relevante é que a produção impressa tem custo e, portanto, o produto precisa ter preço. Mas a internet tem criado uma geração de gente que quer tudo de graça. Não são essas pessoas que vão se interessar pelos fanzines impressos.
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QI

Número de estréia do QI, na época ainda chamado Informativo de Quadrinhos Independentes

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UP – Em algum momento você pensou em parar? Por quê?
EG – Em alguns momentos tive que repensar a maneira de editar. Em 1992, achei que produzir álbuns de quadrinhos não estava tendo o resultado esperado. Minha solução foi criar todo um esquema de produção, divulgação e distribuição de fanzines de outros editores. Durou 9 anos, atingiu vários objetivos e deixou de atingir outros, o resultado é que não pude continuar com o esquema. Concentrei-me no “QI” até um ponto em que não tive mais condições de publicá-lo da mesma forma que fazia. Tive que mudar o esquema, adotando o sistema de assinatura que pudesse cobrir os custos. Hoje, o “QI” depende de existir um certo número de pessoas interessadas. Se deixar de ter, acaba. O que farei nesse caso, cabe ainda pensar a respeito.

UP – Uma curiosidade que sempre vem à tona quando seu trabalho é citado é o fato de você ser Engenheiro Elétrico e lecionar no ITA, uma das mais conceituadas instituições de ensino superior do Brasil. Você nunca cogitou construir uma carreira ligada aos quadrinhos, seja como autor ou editor? A engenharia elétrica é apenas uma profissão ou é também uma paixão?
EG – Sempre gostei de Histórias em Quadrinhos, e produzia meus trabalhos desde criança, mas nunca deixei de estudar outras matérias. Como nunca houve mercado regular para o quadrinhista no Brasil, segui uma carreira mais estável e cursei Faculdade de Engenharia. Acabei preferindo exercer a profissão no Magistério, primeiro em curso técnico e depois como professor universitário. Durante esses meus mais de 30 anos de profissão, algumas vezes tentei publicar profissionalmente, mas a irregularidade do mercado, entre outras coisas, acabou me levando para a publicação independente, na qual estou até hoje. Parte de minha produção como quadrinhista e estudioso dos quadrinhos tem sido publicada pela editora Marca de Fantasia, que, não sendo uma editora profissional, dá a liberdade necessária ao autor.

UP – Dentre todos os títulos que você já publicou, qual foi o mais marcante e por quê?
EG – As antologias que publiquei no final da década de 1980 e início de 1990, pelo tamanho, número de páginas e diversidade de autores, têm uma certa imponência. Mas creio que o “QI” deve ser considerado meu trabalho mais marcante, pela regularidade, pela longevidade (mais de 20 anos), pela utilidade e pelo reconhecimento que teve ao ganhar várias vezes o Troféu Angelo Agostin de ‘Melhor Fanzine’ e ter garantido a mim, também várias vezes, o Prêmio Jayme Cortez, ambos patrocinados pela AQC – Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo.
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Memória do Fanzine Brasileiro

Capa do livro “Memória do Fanzine Brasileiro”, publicado pelo Edgard Guimarães em seu selo Ego.

Capítulo final da trilogia “Fanzineiros do Século Passado” estreará no 3º Ugra Zine Fest

Sim, o incansável Márcio Sno finalmente concluiu a trilogia Fanzineiros do Século Passado e nós teremos o prazer de assistí-la em primeira mão no UZF!
Desta vez o tema é O fanzine e o rock independente dos anos 90, na sala de aula, como objeto de pesquisa e divisor de águas (e o seu futuro).
Se liga no trailer:

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Vale lembrar que o Ugra Zine Fest e o Fanzineiros do Século Passado têm uma longa e duradoura relação, sendo que seus dois primeiros capítulos também estrearam nas edições passadas do evento. (Ou seja: é bom que alguém se inspire no trabalho do Sno e produza mais documentários sobre fanzines, caso contrário não teremos o que exibir no ano que vem!) 😉

Entrevista – Marcos Farrajota (Chili Com Carne)

Pegando carona no espírito iberoamericano desta edição do Ugra Zine Fest, uma das atrações do evento será a exposição Futuro Primitivo.
Idealizada e concebida pela associação portuguesa Chili Com Carne, a exposição reflete com precisão o espírito irrequieto do grupo e o diálogo que seus artistas promovem entre os quadrinhos (ou BDs) e outras linguagens.
Fomos bater um papo com o Marcos Farrajota, uma das mentes por trás da CCC, em busca de mais informações sobre o universo caótico que eles estão criando.

Futuro Primitivo

Arte de Miguel Carneiro

Ugra – O que é e como funciona a Chili Com Carne? Quantas pessoas estão hoje envolvidas na organização?
Marcos Farrajota – A Chili Com Carne é uma associação legalizada sem fins lucrativos que de dois em dois anos reúne-se numa Assembleia Geral, na qual as pessoas decidem o que querem fazer nos próximos dois anos. A Direcção é elegida nessa Assembleia e além de executar o que se pretende claro que também reage aos desafios novos que se colocam – coisas imprevísiveis como eventos, publicações que aparecem, etc. De resto trabalham entre 5 a 10 pessoas com menor ou maior actividade conforme os acontecimentos e interesses individuais.

U – Que tipo de quadrinhos interessa à Chili Com Carne? Você acredita que haja um ponto comum entre os trabalhos lançados pela organização?
MF – Banda desenhada contemporânea, BD de autor, arte que seja viva e para ser vivida, que surja das inspirações e reações do momento. Acho que aí poderás encontrar pontos de contacto entre todo o material. Estilisticamente não, pelo contrário privilegiamos a maior diferença entre os autores… Aliás para quê? Criar uma escola? Modas, Paradigmas? Nem pensar, somos orgânicos e não máquinas de reprodução mecânica. Outra coisa, a BD para nós não é fanatismo, daí que tenhamos interesse também em literatura, ensaio, música, etc.

U – Qual é a situação dos quadrinhos independentes portugueses hoje? Há bons autores, eventos, publicações ou editoras que possa nos indicar?
MF – Depois da explosão 1996-2002, a cena morreu a nível de mercado. O que não impede de haver resistentes e experiências. Até o ano passado havia a Feira Laica – que era um evento de edição independente, com grande participação do sector gráfico. Depois de 8 anos de actividade acabou mas tudo indica que irão existir alternativas este ano. O Festival de BD de Beja apesar de ser demasiado ecléctico é super-simpático, o ano passado passaram um mau bocado com falta de orçamento, vamos ver se acontece este ano – em Junho!
Autores portugueses há muitos e bons: Janus, Ana Cortesão, André Lemos, Jucifer, Filipe Abranches. Nos últimos tempos as maiores surpresas têem sido o José Smith Vargas e o Bruno Borges, que apesar de já fazerem muita coisas há mais de 10 anos, na área da colagem, ilustração e pintura, só nos últimos dois/três anos é que se dedicaram mais à BD – e com excelentes resultados! Da nova geração há com muito talento e vontade de fazer – e melhor ainda com capacidade de fazer – são eles: Afonso Ferreira, André Pereira, Rudolfo e Zé Burnay, verdadeiros “Chavalos do aPOPcalipse” nesta nossa sociedade de Anorexia, Smart Shops, Holiganismo e Cancro.

Futuro Primitivo

Arte de Margarida Borges

U – Você tem uma certa relação com os quadrinhos brasileiros, tendo publicado alguns de nossos autores na revista Seitan Seitan Scum e participado com histórias suas na revista Prego. Você lembra qual foi seu primeiro contato com uma HQ brasileira? Dos novos artistas, quais lhe chamam mais atenção e porque?
MF – Pessoalmente conheci BD brasileira nos finais de 80 e princípios de 90 porque chegavam cá as revistas Chiclete Com Banana, Piratas do Tiête e a Animal (para mim esta revista mudou a minha vida!). Depois disso, durante 15 anos foi mesmo obscuro saber o que se passava no Brasil, tirando uma coisa ou outra que por mero acaso chegava às minhas mãos.
Foi em 2008 que aconteceu o maior contacto com autores brasileiros porque organizamos um evento para o pessoal de Brasília, do Pégaso Alado / Bongoré Bongoró. Este encontro catalizou ainda mais contactos: a revista Samba, a revista Prego, Pedro Franz, Flávio Grão, Diego Gerlach, que parecem-me óptimos autores que fogem à BD humorística tão típica do Brasil – que já não há “saco”!
A experiência dos três volumes Promessas  de amor a desconhecidos quanto espero o fim do mundo de Franz é inesperado. E o trabalho do Diego Gerlach apesar de entender nada dá cabo de mim! Claro que ninguém bate o Fábio Zimbres, hahahaha, só ele bate consigo próprio mesmo quando faz “tirinha” – a Vida Boa é incrível a nível de narração, mesmo que tenha de seguir um formato pré-estabelecido. E claro, o livro + disco Música para Antropomorfos é excelente. Tive a oportunidade de fazer um argumento para o Fábio – que saiu na antologia Seitan Seitan Scum (não é revista, é um título de um número 22 do zine Mesinha de Cabeceira). Foi uma honra e um concretizar de sonho “teenager” trabalhar com ele, afinal de contas, o Zimbres com a Animal alterou toda a minha forma de pensamento quando tinha 16 anos. Com 30 e tal anos faço uma BD com ele!!! A vida é mesmo boa!

U – Fale-nos um pouco sobre a exposição Futuro Primitivo. Qual é o conceito da exposição, como surgiu a ideia, que material a compõe, que países já percorreu…
MF – Já esteve em Portugal, Itália, Finlândia, Suécia, EUA e Brasil. Foi agora também para Barcelona e S. Paulo e deverá morrer por aí… Em Barcelona estão originais do livro, no Brasil seguiram impressões e serigrafias – graças ao contrabandista Alex Vieira, hehehehe.
Todo o Futuro Primitivo é uma falha monumental, embora isso seja normal quando se avança com uma ideia experimental. Queria misturar várias tiras de BD de todos os artistas da Chili Com Carne (e convidados) para criar uma nova BD no seu total misturado. Uma meta-BD, um “remix” como acontece com a música. A exposição também era para ser misturada para cada evento que a recebesse – as tiras deveriam ser colocadas nas paredes de forma diferente para criar sempre novas leituras. Infelizmente os autores, ou as pessoas, não lêem nunca as instruções nem quando compram máquinas novas, né? Também não leram os meus e-mails e enviaram materiais muito diferentes ao pedido – olha, não disse que não queria ser “escola mecânica” mesmo? hahahaha Resultado, foi / é mais complicado trabalhar assim, e creio que o livro ficou abaixo do potencial desta técnica “remix” e a exposição não é diferente de outras exposições tradicionais de BD – até houve uma, em Beja, que fizemos instalações parvas com lixo tecnológico, foi um sucesso porque recriava algo de apocaliptico, que é o tema do livro!
Creio que funciona melhor com as impressões porque são do mesmo formato e permite o organizador misturar melhor, com mais coerência expositiva do que os originais que são sempre precisos estar protegidos por molduras ou são de formatos muito diferentes. Por isso, força aí, Douglas, mistura isso à vontade!
Ah! e claro, como havia muita gente na Chili que fazia música fizemos também uma banda sonora para a exposição em parceria com a You Are Not Stealing Records, que podem descarregar grátis.

Futuro Primitivo

Capa do livro que acompanha a exposição

Uma surpresa mais do que especial!

Henrique Magalhães
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O mestre Henrique Magalhães participará do 3º Ugra Zine Fest como um dos debatedores na mesa “Fanzines, Sexualidade e Questões de Gênero”, no dia 6 de abril, às 16h45, na Praça das Bibliotecas do CCSP.
Henrique é autor do primeiro livro sobre fanzines publicado no Brasil (“O que é Fanzine”, Editora Brasiliense, 1993) e de outros três volumes sobre o mesmo tema: “O Rebuliço Apaixonante dos Fanzines”, “A Nova Onda dos Fanzines” e “A Mutação Radical dos Fanzines”.
É também o mentor da editora Marca de Fantasia, professor na Universidade Federal da Paraíba e quadrinhista, sendo a contestadora e irreverente Maria sua personagem mais conhecida.
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Pela Marca de Fantasia publicou títulos como “Macambira e sua Gente”, “Ber the Bear”, “Amores Plurais” e “Katita: tiras sem preconceito”, levando ao leitor brasileiro a pouco difundida produção de quadrinhos com temática gay.

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Em resumo: o debate, que já estava imperdível, tornou-se agora OBRIGATÓRIO!

Show de encerramento do UZF terá bandas de zineiros!

Morto Pela Escola e TuNa serão as bandas responsáveis pelo encerramento do 3º Ugra Zine Fest, em show gratuito que acontecerá no dia 7 de abril às 18h no CCSP.

As duas bandas contam com zineiros e editores entre seus integrantes. É o caso do Alex Vieira, editor da prestigiada Revista Prego e vocalista da Morto Pela Escola. Os membros do TuNa, por sua vez, são todos zineiros veteranos e seguem publicando individualmente ou em iniciativas coletivas. “Este Corpo é Meu”, “Selvage”, “Zênite” e “Cultive Resistência” são alguns dos títulos produzidos por essa gente inquieta.

As raízes fincadas na cena punk são outro ponto comum entre o TuNa e o Morto Pela Escola – além de muita personalidade e espontaneidade. A seguir, conheça mais sobre as bandas.
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TUNA
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Tuna
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A banda foi formada em 2009, por Paulo Ribeiro (guitarrista), Josimas Ramos (baixista) e por Luís Felipe (baterista). Após meses de ensaio Andreza Poitena (vocal) entrou no grupo e as primeiras composições se fecharam. No fim de 2010, com a morte de Luis Felipe, Renato Correa assume a bateria.
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Já percorreram diversos estados brasileiros e em 2011 realizaram uma turnê européia composta por 29 shows em 28 diferentes cidades. “O mudo mundo com a nossa voz”, álbum de estréia da banda, foi lançado em vinil numa parceria do selo francês Chicken´s Call com diversos outros selos mundo afora.
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A palavra Tuna, em português, significa: grupo de vagabundos, estudantes, outsiders, amantes do ócio, ligados em grupo musical e que organizam concertos em suas perambulações meio nômades. Dessa forma, o nome se encaixa plenamente na proposta da banda: fazer música e expressar que a vida pode abraçar mais que a vida proposta pelo mundo e seu modelo de eficiência-trabalho-rotulações-separações.
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Punk rock sensual, pró mistura de suor, pró intimidade, pró autoconsciência!
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MORTO PELA ESCOLA.
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Morto Pela Escola
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Oriunda  de Vila Velha / ES, Morto Pela Escola é uma banda formada em 2006 por jovens aficcionandos em skate e hardcore dos anos 80. Neste mesmo ano foi lançado o cd “Estude e morra!”, amplamente distribuído pelo Brasil.
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A banda passou por algumas mudanças de formação mas nunca deixou de existir, tendo  lançando mais dois splits: um com a banda Naifa (SP) e outro com a banda Merda (ES). No momento a Morto Pela Escola está com um novo EP em fase de prensagem.